Os melhores filmes de faroeste de todos os tempos


André Bazin, um dos teóricos e críticos do cinema mais reconhecidos de nossa história, disse que o Faroeste é o cinema dos Estados Unidos por excelência. De fato, a linguagem cinematográfica iniciou a sua trajetória com mais força já no início do século XX, em 1903, quando o cinema nem havia completado 10 anos de idade. Nesse princípio, Kit Carson (de Wallace McCutcheon) e O Grande Roubo do Trem (de Edwin S. Porter) foram pioneiros em muitos sentidos.

Mais de um século depois, os faroestes têm uma história de épicos, de obras-primas e de diretores na lista dos melhores da história. A tradição do western nos Estados Unidos continua sendo um traço forte da cultura do país, com séries como Yellowstone e filmes mais recentes do que os da lista abaixo, como Onde os Fracos Não Têm Vez e A Balada de Buster Scruggs (ambos de Ethan e Joel Coen, 2007 e 2018 respectivamente), Django Livre e Os Oito Odiados (de Quentin Tarantino, 2012 e 2015) e o excepcional First Cow (de Kelly Reichardt, 2019).

Entre tantos, separamos alguns filmes para nossa lista.

O Grande Roubo do Trem

O Grande Roubo do Trem pode não ser o mais badalado da lista, mas, historicamente, é o mais importante – e sua importância ultrapassa em muito o gênero. O filme de Edwin S. Porter foi o primeiro em muitos pontos: a ter cenas em ambientes externos, a ter várias locações, na movimentação de câmera e até no emprego da montagem paralela (ainda rudimentar, claro). Não é o primeiro faroeste da história – posto que pertence a Kit Carson (lançado poucos meses antes) –, mas acabou influenciando tudo o que viria a ser feito: tiros que fazem um personagem dançar, perseguições a cavalo, duelo… Já está tudo nesse filme de 1903.

Rastros de Ódio

Se John Ford prezava pelos colonizadores (e isso pode ficar cada vez mais claro), por outro lado sua utilização da linguagem do cinema e sua forma de contar uma história colocam-no como um dos melhores diretores de todos os tempos. Rastros de Ódio, provavelmente, entre todos os filmes de sua filmografia, é o que deixa tudo isso mais exposto, trazendo a história de um veterano da guerra civil que embarca em uma jornada para resgatar sua sobrinha dos comanches. É uma aula de cinema que precisa ser assistida consciente do todo.

Sete Homens e um Destino

Baseado em uma obra de Akira Kurosawa (em Os Sete Samurais, de 1954), Sete Homens e um Destino é um clássico que, assim como Bravura Indômita (mais abaixo), foi refilmado há pouco tempo. Se o original foi dirigido por John Sturges e conta com nomes como Yul Brynner, Steve McQueen e Charles Bronson, o remake é dirigido por Antoine Fuqua e traz Denzel Washington, Chris Pratt e Ethan Hawke no elenco. Ambos os filmes, que também são conhecidos como Os Sete Magníficos, têm uma história que acompanha sete homens que são contratados para proteger um vilarejo de um grupo de bandidos.

O Homem que Matou o Facínora

Protagonizado por um ator de clássicos – James Stewart –, O Homem que Matou o Facínora é uma obra-prima dirigida por John Ford, que não demoraria a ser considerado um dos maiores diretores da história. Talvez sendo, junto ao citado Rastros de Ódio e ao No Tempo das Diligências (de 1939), das melhores produções do diretor, o filme conta a história de um político (Stewart) conhecido por ter assassinado um criminoso dos mais procurados. 25 anos depois, ele, retornando às suas origens, conta o que aconteceu…

Trilogia dos Dólares

Burlar um pouco a lista para colocar três de uma vez, três clássicos do western spaghetti– subgênero do faroeste que se refere aos filmes que, além de um orçamento bem menor do que os hollywoodianos, eram gravados em italiano. Os filmes dessa trilogia (também conhecida como Trilogia do Homem Sem Nome) carregam a consagração de Clint Eastwood e trouxeram algumas das trilhas sonoras mais icônicas da história do cinema, compostas pelo hoje (e há pouco tempo) saudoso Ennio Morricone. O primeiro da trilogia (Por um Punhado de Dólares) é baseado em Yojimbo, o Guarda-Costas(novamente de Kurosawa, 1961) e o terceiro (Três Homens em Conflito – também conhecido como O Bom, o Mau e o Feio) é, possivelmente, um auge do dito western spaghetti. Ambos, assim como o segundo (Por uns Dólares a Mais), foram dirigidos por Sergio Leone.

Bravura Indômita

Com a primeira versão protagonizada pelo lendário John Wayne e por Kim Darby e a segunda por Jeff Bridges e Hailee Steinfeld, Bravura Indômita é uma história sobre coragem e vingança. Além disso, a força da personagem vivida por Darby e por Steinfeld é inspiradora. Ainda, vale a pena assistir as duas versões para perceber as diferenças da direção de Henry Hathaway e de Ethan e Joel Coen: enquanto o primeiro investe mais na aventura, os irmãos Coen carregam o clima com uma tensão muito característica dos seus trabalhos.

Butch Cassidy

Um dos filmes mais populares do gênero, Butch Cassidy venceu quatro Oscars (roteiro, fotografia, trilha sonora e canção) e foi indicado a outros três (filme, direção e som). A história, escrita por William Goldman (de outro que pode estar em uma lista do tipo: Maverick), segue o personagem título (Paul Newman) e The Sundance Kid (Robert Redford): um assalto do bando liderado por eles acaba dando errado, o que transforma o filme em uma fuga quase ininterrupta em direção à Bolívia.

Meu Ódio Será Sua Herança

Dirigido por Sam Peckinpah, o “poeta da violência”, Meu Ódio Será Sua Herançaacompanha velhos foras-da-lei que partem para uma última investida. Enquanto isso, percebem que tudo aquilo que eles veem como tradicional está desaparecendo. O filme é uma metáfora sobre o tempo e Peckinpah, dentro de seu estilo único, consegue traduzir tudo em imagens. Um filmaço.

Os Imperdoáveis

Com uma premissa parecida com a de Meu Ódio Será Sua HerançaOs Imperdoáveistraz um pistoleiro aposentado que, relutando, assume um último trabalho, tendo ao seu lado um antigo parceiro e um jovem. Dirigido e estrelado por Clint Eastwood, o filme marca um retorno ao faroeste daquele que foi apresentado ao mundo dentro do gênero quase três décadas antes. No elenco principal, além de Eastwood, estão Morgan Freeman e Jaimz Woolvett.

Dança com Lobos

O tenente John Dunbar (Kevin Costner) é designado para um posto avançado durante a Guerra Civil Americana. No cumprimento de sua função, ele faz amizade com índios, o que, junto aos seus, transforma-o em uma aberração intolerável. Dança com Lobos é um dos filmes mais emblemáticos da década de 1990 e mais um dirigido pelo próprio protagonista. Dentro do gênero, ainda, é um dos que tocam na relação da colonização sangrenta de maneira mais genuína – mesmo que leve.

Fonte: via


Redação

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